• Amanda Santos

Pandemias, Arte e Arquitetura



A pandemia de Covid-19 não é a primeira que a humanidade já enfrentou e, com certeza, não será a última. E as outras crises epidêmicas pelas quais passamos moldaram a forma como vivemos e organizamos nossos espaços de convivência. Nesta semana no Blog da Onze Trinta vamos discutir esses processos de mudança, e como eles foram retratados na arquitetura e nas artes em geral.


Novos hábitos

Estamos todos em casa (bem, os que ainda podem e os que entendem que aglomerações não são os melhores locais no momento) por causa da quarentena. E, enquanto vemos vários stories sobre limpezas de armários e descobertas de relíquias pessoais e familiares - e como estamos com saudades dos nossos amigos e daquela conversa no bar -, também pensamos nas melhores maneiras de limpar a casa e nos livrarmos do vírus. E não somos os primeiros a passar por isso, nem seremos os últimos. Muito do design básico que vemos em nossas casas são mudanças implementadas para frear a propagação de doenças.


Arquitetura, mobiliário e higiene

Com as grandes descobertas nas formas de propagação de doenças do século XIX, nosso modo de viver mudou muito. É por isso até que as pessoas eram mandadas para as montanhas ou paras as cidades do interior, para “respirar novos ares”, pois se acreditava que a maior propagação de doenças era pelo ar. Os quartos, antes sem janelas, ganham iluminação e ventilação. Até mesmo os móveis começaram a mudar: os armários, por exemplo, não eram tão comuns até os anos 1920, e se tornaram populares com o crescimento da importância da higiene diária (fica mais fácil limpar o quarto se este tem menos móveis). O lavabo também foi outra adição: fazer um banheiro separado para os estranhos que frequentavam as casas. Ter uma pia próxima à área de estar também incentivava a higiene das mãos.


Mudanças no cenário urbano

As primeiras cidades surgiram há mais ou menos 10.000 anos. E desde lá enfrentamos muitas coisas! E com elas surgiu também a ideia de planejamento de cidades, o Urbanismo. Assim, entende-se que o urbanismo sempre esteve bastante atrelado aos avanços no campo das ciências médicas e biológicas, dando respostas às formas e infraestruturas para sustento e organização das cidades, ou mesmo a sua militarização. Sim, até mesmo nossas cidades - que hoje possuem redes de esgoto, ruas que permitem a circulação de ar e luz - foram modificadas conforme enfrentamos as diferentes crises. Hoje, com a crise causada pelo Novo Coronavírus, podemos perceber inclusive que esses espaços urbanos do mundo todo estão mais conectados que nunca, um produto da globalização.


Mas, e a arte?

Crises, guerras e situações de dor e sofrimento do povo sempre serviram de inspiração para artistas do mundo todo e, as diferentes epidemias e pandemias não são exceção. Durante a Peste Negra (1346-1353), era comum nas artes a representação de caveiras, velas e figuras humanas desesperançosas, e até a própria peste como uma figura sombria saída direto de histórias macabras. Já no século XX a Gripe Espanhola (1918-1920) foi a grande responsável pelo sofrimento de milhões e, neste período, artistas representavam faces tristes, amareladas, e corpos magros, debilitados pela doença. Outro caso é da representação de uma família que nunca aconteceu por ação da terrível gripe. Até mesmo na descoberta da Aids nos anos 1980 (com muitos casos descobertos em um curto período de tempo) trouxe grandes reflexões sobre as formas de contágio e nas condições de vida dos infectados.


No novo normal

Em tempos de Covid-19, surgem também diversas reflexões sobre nossas condições psicológicas e sociais, e até sobre nossos novos hábitos diários e, com a ajuda da Internet, podemos ver essas expressões artísticas vindas de todos os lugares do mundo. É o caso do The Covid Art Museum, um perfil no Instagram autointitulado “o primeiro museu do mundo nascido durante a quarentena de Covid-19”, que recebe e divulga fotografias, vídeos e ilustrações que abordam diferentes aspectos do atual momento, a exemplo do uso de máscaras, o isolamento, o vazio das cidades e a crise no consumo. A arte ainda é vista como uma forma de escape e reflexão sobre nossos papéis na sociedade que vai precisar se reinventar e criar novas formas de convívio. O mesmo vai poder ser (e, em alguns lugares, já é) visto nas configurações de nossos lares - com áreas dedicadas à desinfecção de compras e roupas, assim como à higiene pessoal - e nos nossos hábitos diários.


A arte é a expressão do que é humano, e também um escape ao meio ao caos. Designers, artistas, arquitetos e todos aqueles que trabalham para pensar em novas soluções que visam o melhor para a sociedade, assim como nos momentos de crise anteriores, comandarão as pesquisas que abrirão o caminho para o progresso. Mesmo a área do entretenimento e das artes ter sido uma das mais afetadas pela crise, é ela que vai nos recuperar!


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