Gravar um vídeo vai muito além de uma boa câmera e uma boa luz – Parte 2
- Amanda Santos
- 22 de out. de 2019
- 3 min de leitura
Neste mês iniciamos uma série aqui na Onze Trinta sobre como gravar um vídeo não é tão simples quanto parece. Acompanhe o segundo texto da série!

Já falamos um pouco de montagem aqui, sobre vídeos corporativos.
A montagem – ou edição – consiste em selecionar, ordenar e ajustar os planos de um filme (ou outro produto audiovisual) a fim de alcançar o resultado desejado – seja em termos narrativos, artísticos, informativos, dramáticos, experimentais, etc. É claro que para haver montagem deve haver um material bruto, portanto este é um processo de pós-produção.
O que fazia o cinema ser arte
Durante muito tempo, a montagem era a única parte que fazia com que o cinema fosse uma arte, o que tornaria o audiovisual uma linguagem diferente das demais. No entanto, hoje alguns autores observam uma certa semelhança entre outras formas de arte e a edição, como na pintura e na literatura (esta última também uma forma narrativa). A montagem, contudo, é o que leva o produto audiovisual onde este deve chegar: não é só unir partes de cenas e diálogos. O editor (e alguns diretores, como Akira Kurosawa) deve trabalhar camadas de histórias, narrativas, diálogos, música e até a performance dos atores, muitas vezes criando um novo filme – conhecemos as “versões do diretor”, não? – através da técnica.
A mulher na montagem
Nos primeiros anos do cinema, a edição era considerada um trabalho técnico, que requeria habilidade apenas – afinal, eram usadas tesouras e colas para recriar as bobinas de filmes – e, quando foi criada a guilda, os editores puderam escolher não fazer parte de uma categoria artística, e se mantiveram como técnicos. Como as mulheres dificilmente chegavam aos cargos criativos no cinema – uma questão enfrentada até hoje – na edição elas eram não só aceitas como elogiadas pelas habilidades manuais requeridas. Tanto que o cinema teve muitas delas premiadas e reconhecidas por seus trabalhos, como Anne Bauchens, Margareth Booth, e Anne V. Coates.
Teorias e técnicas
Dentre os teóricos e experimentadores da técnica, dois nomes se destacam, ambos cineastas e críticos estudiosos do cinema e do audiovisual: Sergei Eisenstein e Andre Bazin. Enquanto que para o primeiro, formalista, a montagem tem papel fundamental na construção do pensamento através dos choques entre os planos, para o segundo, realista, a montagem é o caminho para a construção da realidade através do respeito fotográfico do espaço do acontecimento. Contudo, mesmo que a imagem audiovisual esteja preocupada em o espectador dar um salto ideológico ou simplesmente ver (intenções contrastantes), é necessário falar no processo híbrido – e antes chamado de impuro – do audiovisual eletrônico atual. Nas atuais condições em que a tecnologia ocupa um espaço cada vez maior no processo de criação audiovisual, a edição do jeito que Bazin e Eisenstein a conceberam se interpolam: enquanto para Eisenstein o criador é o centro – e vemos muitos editores, diretores, produtores e produtoras que imprimem a sua estética –, para Bazin há o conceito de tradução de uma mídia para outra.
Desta forma, edição (ou montagem) é parte essencial para se obter um bom vídeo, assim como compreender os desdobramentos teóricos desta técnica. Acompanhe nosso blog para continuar a entender como um bom vídeo não depende apenas de uma câmera e uma boa luz!
Você tem alguma história para ser montada? Conheça as possibilidades que a Onze Trinta pode lhe oferecer.







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