• Amanda Santos

A importância do roteiro e um flerte com o subjetivo

Atualizado: Jul 7



É nítido que o roteiro é importante, mas quais são as características que o fazem assim? Para nós o roteiro é um momento de conexão, reflexão e criatividade. É a oportunidade perfeita para pesquisa e desenvolvimento de qualquer ideia. É a alma de um vídeo.


Para começar esse assunto precisamos trazer à tona a importância de contação de história em nossa sociedade. Tendo essa referência inicial como base, como podemos aplicar isso em nossa realidade? Como apresentar esses conceitos em um vídeo How To Use, em uma campanha ou em algum conteúdo institucional?


O primeiro passo de toda construção está na pesquisa: como meu cliente se comunica, como seu mercado se comunica, qual público precisamos atingir, quais são as informações fundamentais? Aqui encontramos duas informações importantes: o que fazer e o que não fazer. A composição desses exemplos nos diz qual o melhor caminho a seguir e como conduzir a história para esses objetivos. Exemplos positivos são um guia para criação de conteúdo assim como exemplos negativos, muitas vezes é mais importante ter como ponto de partida saber o que não fazer.


Para Doc Comparato em seu livro Da Criação ao Roteiro: “O trabalho do roteirista não se baseia apenas no talento para escrever e criar, mas também na capacidade para colocar seu trabalho num caminho adequado de produção.”


Com o domínio dos temas e o entendimento das necessidades da direção e do projeto, chega a hora da produção do texto e aqui temos dois aspectos fundamentais: áudio e vídeo. No áudio propomos locução, trilha e efeitos sonoros, essa é a base, a fundação da nossa história. Aqui criamos o clima e proporcionamos sensações muitas vezes captadas apenas pelo cérebro, nosso espectador está focado na história e a forma como o locutor interpreta o texto, o sentimento em cada nota da trilha sonora e a ambiência proporcionada pelo sound fx criam uma cama onde quem assiste o vídeo se deita sem perceber.


Agora, como falar de vídeo em formato de texto? A proposta aqui é simples mas precisa de cuidados para ser funcional. As cenas são descritas, criamos aqui noções de enquadramento, posicionamento e movimento. É importante considerar as indicações do diretor, do diretor de arte e do diretor de fotografia nessa descrição e muitas vezes fazemos uso de imagens de referência para que o entendimento seja facilitado. O roteiro é técnico mas precisa ser compreensível para todos: o cliente precisa se localizar e se sentir parte dessa construção.

Sendo assim, reunimos tudo o que precisamos para a construção de um roteiro: ele está claro e objetivo. Mas, e o subjetivo? Onde ele entra? Por que ele deve entrar?


Quando uma marca se comunica ela carrega conceitos que vão muito além de imagens bonitas e um áudio sem ruído. Toda empresa tem uma história por trás de sua fundação, ela carrega em sua existência sua missão, visão e valores. Ela carrega sonhos e realizações e isso precisa estar no vídeo também, independente do tamanho da campanha. E é aqui que entra o flerte com o subjetivo.


Por mais prático que seja nosso vídeo ele precisa carregar sentimentos, ele precisa fazer o espectador sentir e querer ser parte daquele universo. Segundo o autor Jean-Claude Carrière:


“Escrever um roteiro é muito mais do que escrever. Em todo caso, é escrever de outra maneira: com olhares e silêncios, com movimentos e imobilidades, conjuntos incrivelmente complexos de imagens e de sons que podem possuir mil relações entre si, que podem ser nítidos ou ambíguos, violentos para uns e suave para outros, que podem impressionar a inteligência ou alcançar o inconsciente... ”


É com essa base que nós da Onze Trinta pensamos um roteiro. Investimos em conhecimento técnico para que toda as informações fundamentais estejam presentes e fazemos dessa etapa um ato fundamental em qualquer produção. Por outro lado não deixamos de lado o subjetivo e procurar trazer sentimentos para cada história. No fundo, o que prende a atenção de uma pessoa é a capacidade de gerar expectativa e entregar recompensas.


Raul Fernandes

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